Telhado de pouca inclinação economiza mesmo?
Telhado raso virou moda estética e economia de obra. A economia é real, mas menor do que parece — e ela vem acompanhada de uma restrição séria.
Quanto se economiza em área
Num vão de 10 m:
- 15% de caimento: fator de área 1,0112, cumeeira a 0,75 m
- 40% de caimento: fator de área 1,0771, cumeeira a 2,00 m
A diferença de área real entre os dois é de 6,5%. Numa cobertura de 100 m² de projeção, são 6,5 m² de telha e manta a menos. Não é nada desprezível, mas também não é a metade que muita gente imagina.
A economia verdadeira está na estrutura
O ganho maior é a altura: 1,25 m a menos de cumeeira significa menos madeira em pernas de tesoura, menos alvenaria de oitão e menos andaime. Em obra com platibanda, o telhado raso também esconde melhor.
A restrição que decide
Cerâmica pede 30% de caimento no mínimo, e francesa 36%. A 15%, nenhuma telha cerâmica serve. Sobram fibrocimento, metálica e algumas telhas de concreto específicas.
Se a estética pedida é de telha de barro aparente, telhado raso está fora da discussão, e não adianta negociar: abaixo do mínimo, a água volta pela sobreposição.
O que o telhado raso exige em troca
- Subcobertura, que deixa de ser opcional
- Calha e condutores bem dimensionados, porque a água tem menos energia para escoar
- Manutenção mais frequente, porque folha e sujeira acumulam mais
- Cuidado com água longa, porque o percurso até a calha fica mais lento
Erros comuns
- Decidir a inclinação antes da telha. A telha é quem manda no mínimo.
- Reduzir o caimento depois do madeiramento pronto. Refaz tudo.
- Achar que a economia é proporcional ao ângulo. O fator de área cresce devagar.
A calculadora de inclinação mostra altura, ângulo e fator de área, e a calculadora de telhas avisa quando o caimento fica abaixo do mínimo do modelo.