Reaproveitar água de chuva: a conta e o sistema
Captar chuva é tecnicamente simples e operacionalmente exigente. O reservatório é a parte fácil.
De onde vem o volume
A água disponível é a área de captação vezes a chuva do período, menos as perdas. A área é a projeção do telhado, a mesma que entra no cálculo de calha.
Um telhado de 150 m² de projeção, numa chuva de 100 mm no mês, recebe 15 m³ — 15.000 litros. Na prática, descontando o descarte inicial e as perdas, sobra bem menos.
O descarte das primeiras águas
O telhado acumula poeira, folha e fezes de pássaro. A primeira água da chuva lava tudo isso para dentro do reservatório.
O dispositivo de first flush descarta esse volume inicial antes de direcionar o resto para a cisterna. Sem ele, a água armazenada vem suja e o reservatório vira problema sanitário.
Para que serve essa água
Uso não potável: descarga, lavagem de piso e carro, rega de jardim. Esses usos somam uma fatia relevante do consumo doméstico.
Potabilizar chuva para beber exige tratamento que raramente compensa em residência.
A rede precisa ser separada
Tubulação identificada, torneiras sinalizadas, e nenhuma conexão com a rede potável. Conexão cruzada entre as duas redes é risco sanitário sério e proibido.
O dimensionamento é por equilíbrio
Reservatório grande demais fica com água parada por semanas; pequeno demais transborda na primeira chuva forte. O tamanho razoável cobre o consumo não potável de alguns dias, não meses.
Para cinco pessoas com consumo de projeto de 200 L por dia, três dias de reserva dão 3.000 litros — e esse é um bom ponto de partida para o volume do reservatório de chuva também.
Erros comuns
- Pular o first flush. Água suja no reservatório.
- Sem extravasor. Cisterna cheia precisa de saída.
- Conectar à rede potável. Risco sanitário.
- Esquecer a manutenção. Filtro e calha entopem.
A calculadora de cisterna dimensiona o reservatório; a de calha ajuda com a captação.