Disjuntor e cabo andam juntos: a coordenação que protege
O disjuntor não protege o aparelho. Ele protege o cabo. E para fazer isso, os dois precisam estar coordenados.
A regra
Três grandezas precisam ficar em ordem:
IB ≤ IN ≤ IZ
- IB é a corrente do circuito (o que o aparelho puxa)
- IN é a corrente nominal do disjuntor
- IZ é a capacidade do cabo
Se o disjuntor for maior que o cabo aguenta, o cabo esquenta e derrete antes de o disjuntor desarmar. É assim que começa incêndio em instalação elétrica.
A conta no chuveiro de 7.500 W em 220 V
- corrente: 34,1 A (IB)
- disjuntor comercial acima: 40 A (IN)
- cabo mínimo para esse disjuntor: 6 mm², que conduz 41 A (IZ)
34,1 ≤ 40 ≤ 41. Coordenado.
Repare como a folga entre o disjuntor e o cabo é pequena: 40 e 41. Trocar o cabo por 4 mm² (32 A) quebraria a regra — o disjuntor de 40 A nunca protegeria um cabo de 32 A.
O erro mais comum do Brasil
Disjuntor desarmando é incômodo, e a reação instintiva é trocá-lo por um maior. Isso remove a proteção sem resolver a causa.
Se o disjuntor desarma, ou o circuito está sobrecarregado (aparelhos demais no mesmo ponto) ou há defeito. Aumentar o disjuntor sem aumentar o cabo é transformar um aviso em risco.
A série comercial
Disjuntores existem em valores fixos: 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80 e 100 A. Você escolhe o primeiro valor acima da corrente calculada — e então confere se o cabo aguenta esse valor.
Erros comuns
- Trocar o disjuntor por um maior quando desarma.
- Dimensionar o disjuntor sem olhar o cabo.
- Esquecer o DR. Disjuntor comum não protege pessoa; o diferencial residual sim.
- Usar disjuntor de curva errada. Motor exige curva que tolere a partida.
A calculadora de disjuntor devolve o disjuntor comercial e o cabo mínimo que ele exige, já coordenados.