Como ler um orçamento de obra sem se perder
Dois orçamentos com valores próximos podem estar falando de obras completamente diferentes. Ler bem é mais importante que negociar.
O que todo orçamento precisa ter
- Material separado de mão de obra. Sem isso você não enxerga onde cortar.
- Quantidade por item, não só o valor. “Pintura: R$ X” não diz quantos m², quantas demãos, qual tinta.
- Marca e especificação do que importa — classe da argamassa colante, tipo de tinta, bitola do fio.
- O que está excluído. Caçamba, descarte, limpeza final, transporte vertical.
- Prazo e forma de medição.
Os três itens que somem
Descarte. Caçamba e remoção de entulho em reforma costumam ser subestimados ou simplesmente não listados.
Preparo. Massa, lixa, selador e regularização de base não aparecem no orçamento de “pintura” ou de “piso”, mas acontecem.
Transporte vertical. Em apartamento sem elevador de serviço, subir material é mão de obra e tempo.
Compare quantidade, não preço total
Se um orçamento prevê 2 demãos e outro 3, o segundo é mais caro e mais correto. Se um usa AC-I e outro AC-III em porcelanato, o barato vai dar piso oco.
Por isso vale chegar com as suas próprias quantidades: quando você sabe que a parede tem 54 m² líquidos e precisa de 11 litros de tinta, consegue avaliar se a proposta faz sentido.
Por m² ou por empreitada
Empreitada por m² funciona em serviço mensurável e repetitivo: alvenaria, reboco, piso, pintura. O risco de produtividade é do executor.
Diária faz sentido em serviço imprevisível: demolição, reparo, caça a vazamento. Pagar empreitada em serviço imprevisível leva o profissional a correr no acabamento.
Erros comuns
- Aceitar valor fechado sem memória de cálculo.
- Comparar só o total. Escopo diferente, preço diferente.
- Não pedir o que está excluído. É onde a surpresa mora.
- Fechar sem prazo definido. Obra que se arrasta custa mais.
A calculadora de custo de reforma por cômodo devolve as quantidades que você leva para a mesa.