Para onde vai a água do seu telhado
O telhado é só a primeira parte do sistema. A água precisa de um caminho completo até sair do terreno, e cada trecho tem um dimensionamento próprio.
O caminho
- Telhado → conduz pela inclinação até a borda
- Calha → recebe e leva até o ponto de descida
- Condutor vertical → desce
- Condutor horizontal → leva até o destino
- Destino → rede pluvial, sarjeta, reservatório ou infiltração
Qualquer trecho subdimensionado transborda nos outros.
A vazão vem primeiro
Com 170 m² de área de contribuição e intensidade de 150 mm/h, a vazão de projeto é de 425 L/min. Esse número alimenta todo o resto: largura da calha, diâmetro do condutor e quantidade de descidas.
A intensidade é da sua cidade, não genérica — ela sai das normais do INMET e muda bastante entre regiões.
Onde o sistema costuma falhar
- Calha com declividade zero. Água parada acumula folha e transborda.
- Uma descida só em telhado grande. Vazão alta pede mais pontos, não só tubo maior.
- Condutor subdimensionado. O gargalo faz a calha transbordar mesmo estando correta.
- Saída jogando no próprio terreno. A água volta para a fundação.
- Sem grade ou proteção. Folha entope o funil na primeira chuva forte depois do outono.
Reaproveitar a água
Se o destino for cisterna de reúso, o sistema precisa de um descarte das primeiras águas — o first flush —, que carrega a sujeira acumulada no telhado. Sem ele, a água armazenada vem com folha, poeira e fezes de pássaro.
A área de captação e o volume do reservatório vêm da mesma conta de vazão, com a chuva média mensal no lugar da intensidade de projeto.
Erros comuns
- Dimensionar a calha e esquecer o condutor.
- Usar intensidade de projeto média anual. O dimensionamento é para o pico.
- Descarregar perto da fundação. Umidade na parede e recalque.
- Não prever manutenção. Calha sem acesso não é limpa.
A calculadora de vazão de calha dá o número de partida; a cisterna ajuda se a ideia for reaproveitar.